A novidade de uma consagração secular






Na Igreja, a consagração secular é vocação reconhecida somente há poucos decênios e exige ser compreendida na sua peculiaridade. A esse respeito são preciosas as palavras de Paulo VI que, com lucidez, colheu e explicitou a novidade dessa forma de vida cristã.  Ele diz:

 “Encontrai-vos numa confluência misteriosa entre as duas poderosas correntes da vida cristã, recebendo riquezas de ambas. Sois leigos, consagrados, como tais, pelos sacramentos do batismo e da confirmação, mas escolhestes o modo de acentuar a vossa consagração a Deus com a profissão dos conselhos evangélicos, assumidos como obrigações, com vínculo estável e reconhecido. Continuais a ser leigos, empenhados nos valores seculares próprios e peculiares do laicado (Lumen Gentium, 31), mas a vossa é uma “secularidade consagrada”. (Paulo VI, Aos Responsáveis e Membros dos Institutos Seculares, por ocasião do XXV aniversário da “Provida Mater”).

 

Embora sendo “secular”, a vossa posição, de certo modo, difere da dos simples leigos, dado que estais empenhados nos mesmos valores do mundo: e, como sois consagrados, não só afirmais a validade intrínseca das coisas humanas em si próprias, mas também as orientais, explicitamente, segundo as bem-aventuranças evangélicas. Por outro lado, não sois religiosos, mas, sob um certo ponto de vista a vossa escolha coincide  com a dos religiosos, porque a consagração que fizestes vos põe no mundo como testemunho da supremacia dos valores espirituais e escatológicos, ou seja, do caráter absoluto da vossa caridade cristã, a qual quanto maior é tanto mais demonstra que são relativos os valores do mundo, ao mesmo tempo que ajuda a sua reta atuação, da vossa parte e da dos outros irmãos.

 

Nenhum dos dois aspectos da vossa fisionomia espiritual pode ser valorizado em desfavor do outro. Ambos são igualmente essenciais:

 

“Secularidade” indica a vossa inserção no mundo, (...)

 

“Consagração” indica, por sua vez, a íntima e secreta estrutura do vosso ser e do vosso agir (...).”

 

À luz dessa novidade, os conselhos evangélicos adquirem particular significado, pois, vividos na secularidade, se tornam linguagem privilegiada para testemunhar o Evangelho. Continuando o mesmo discurso aos membros dos Institutos Seculares, o Papa ilumina, com particular sabedoria, o sentido profundo dos conselhos evangélicos de pobreza, castidade, obediência  vividos na secularidade:

 

“A vossa pobreza diz ao mundo que se pode viver entre os bens temporais e se podem usar os meios da civilização e do progresso, sem ser escravo de nenhum deles; a vossa castidade diz ao mundo que se pode amar com o desinteresse e a inesgotabilidade que chegam ao coração de Deus, e que é possível dedicar-se a todos, sobretudo aos mais abandonados; a vossa obediência diz ao mundo que se pode ser feliz mesmo sem fazer uma cômoda escolha pessoal, mas ficando plenamente disponível à vontade de Deus, como se apresenta na vida quotidiana, pelos sinais dos tempos e pelas exigências de salvação do mundo de hoje”.

 

A FRA consagra a Deus todas as dimensões da sua vida, sua humanidade inteira. Nesta perspectiva, e no exemplo de Jesus pobre, obediente e casto, adquirem sentido os conselhos evangélicos que a FRA, por graça divina, se compromete a viver, depois de um longo período de preparação. A consagração é ato de fé que unifica a própria pessoa e a entrega ao Senhor Jesus.

 

Pobreza

 

Castidade

 

Obediência

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